Estudo do Outono – Parte 1

 

Segundo a Roda medicinal dos índios norte-americanos, o animal associado ao poder do Oeste é o Urso Cinzento. Ele é o mais forte de todos os ursos. Autossuficiente, vive por sua própria força, e se cura através de seu conhecimento de ervas e sua ligação com a terra.

O poder que vem do Oeste é o do desenvolvimento da força interior, da autossuficiência, que nos permite enfrentar os desafios do dia-a-dia, as dificuldades da vida. É o reconhecimento dessa força que está dentro de todos nós.

É um momento de acumular energias, de repensar o projeto de vida, os conhecimentos e deixar de lado o que é inútil, assim como as arvores deixam cair as suas folhas secas. O oeste tem o sentido de “olhar para dentro”, da introspecção. Momento de avaliar o aprendizado das ações e adquirir experiência para tomar decisões mais sábias. De avaliar as nossas verdadeiras intenções e digeri-las como o Urso em sua caverna.

O Poder do Oeste, simboliza a escuridão da caverna do urso também simboliza o útero, o elemento Terra, a Raça Negra, o Reino Mineral e suas riquezas, o corpo físico, os ossos.

A função principal da Direção Oeste da Roda Medicinal (em ambos os hemisférios; olhando para o Polo Sul, fica na sua mão direita ) é segurar, prender.

O reino Mineral tem as rochas, pedras, gemas, substâncias minerais como suportes e condutores de grande energia. No pensamento nativo as rochas e pedras já estavam no planeta antes da vegetação, animais e humanos, sendo portanto, a mais antiga forma de vida entre os quatro reinos. Eles veem as pedras e rochas como os “ossos da Mãe-Terra”, relacionam gemas a partes do corpo físico humano. Quando seguramos um quartzo, ou qualquer pedra na mão, estamos tocando em algo que esteve no planeta antes do homem aparecer.

Kenneth Meadows em Earth medicine: Element, narra que segundo a sabedoria antiga as gemas relacionadas com os cinco sentidos são: perídoto aos olhos e com a visão, ônix às orelhas e com a audição, a ágata às mãos e o tato, o topázio com a língua e o paladar, o jaspe com o nariz e com o olfato.

O quartzo, é visto como portador de propriedades especiais de transformação e acumulação e expansão de energia. E hoje é usado por todos em calculadoras, relógios, computadores, etc.

O corpo humano é dependente dos minerais inorgânicos essenciais e muitas desordens físicas podem ocorrer devido às deficiências ou excessos de minerais.

Nosso corpo físico é o que nos prende aqui como parte da terra. Nele nós podemos explorar e experimentar o reino da matéria.

A função do oeste é segurar, prender o que não significa estagnar, congelar algo para manter do jeito que é. Os ancestrais consideram segurar como uma pausa reflexiva antes da mudança. Medows trata como um intervalo entre dar e receber ou de receber e dar. Uma aceitação do que é concebido com nossos próprios esforços e a consideração de dar de si ao sustento da roda para que ela gire.

O oeste é relacionado na cosmologia nativa norte-americana com o olhar para dentro, introspecção. Fazemos a viagem de volta para o oeste para examinar nosso eu interno e avaliarmos o que necessitamos mudar para poder crescer no novo ciclo que se aproxima.

A ênfase é na mudança e na transição. É Também onde nós temos que enfrentar a realidade da morte. A morte como transição para o novo começo.

O oeste é também o lugar dos sonhos e das visões sobre o futuro. Os índios americanos falam em dançar um sonho acordado, o giro dos sonhos em realidades físicas sendo práticos e realísticos.

O oeste pode ser comparado ao outono que é a estação da consolidação quando o crescimento para e a preparação para a renovação começa.

O oeste pode também ser comparado ao crepúsculo e ao sombrio.

Meadows classifica bem os componentes do oeste :

 

1. Qualidade: Mudança e transição.

A vida está envolta na na incerteza e no inesperado.. A mudança é inevitável, e uma coisa está determinada é que à partir do seu nascimento você caminha para a morte. Imagine que nossa caverna do urso inicial é no útero de nossa mãe, onde somos nutridos, antes de sermos concebidos, daí morremos nesse mundo e nascemos neste plano. Assim é morte, morremos nesta dimensão e nascemos em outra, onde passamos por ciclo, nos desfazemos de nossa personalidade e morremos naquela dimensão e voltamos para um novo útero, uma nova personalidade que se cria, onde embarcamos para uma aventura material, um ciclo sem fim.

O xamã sabe da lei sagrada e natural de que a vida conduz à morte, assim como sabe que a morte conduz à vida. A realidade mostra a morte como parte da vida e como parte do processo de renascimento. Como um acordar e despertar contínuo. A morte é como um sono, que ao despertarmos ficamos renovados.

Segundo meadows : Há um pensamento de que ao morrer há uma sensação de entrar num túnel, de ouvir sons incomuns, mas agradáveis, de viajar para cima num ponto distante de luz. O processo de nascimento é similar mas mais traumático. Há uma sensação, de um som contínuo ao longo de um túnel, que é o útero da mãe e o portal do nascimento.

Com nascimento há uma sensação de confinamento, de sentir uma pressão que carrega para baixo, visto que com morte há um sensação da liberação da pressão para cima. Se, consequentemente, você sobrevive depois que o corpo morre, você também existiu antes que o corpo esteve carregado com sua alma – apenas

porque é o mesmo ‘ você ‘ nessas vigílias após o sono. A morte é assim uma parte da vida e está neste contexto inteiro da continuidade da vida que uma outra lei cósmica – a lei do karma opera.

Muitos autores descrevem o karma como lei de causa e efeito ou como uma dívida que deva ser paga por ações de vidas passadas. Segundo Meadows, o pensamento nativo tem uma compreensão diferente, eles o consideram um professor que ensina aspectos que estão fora do equilíbrio e que necessitam ser corrigidos. São as situações repetitivas da vida, os discos rachados, os velhos problemas que retornam repetitivas vezes, em circunstancias diferentes.

Ele compreende lições de nossa vida que são parte de nosso destino. Lições que devemos aprender para crescermos espiritualmente, evoluirmos, e assim cumprirmos a missão de nossa existência.

 

2. Totem: Urso Cinzento

Inspirados na grande força do Urso Cinzento, vamos buscar nossa força interna no período do outono. Vamos olhar para dentro, buscar a introspecção, ver nossa verdadeira intenção no coração, examinar nossas fraquezas, buscar as nossas forças e poder pessoal. Avaliamos as lições das experiências passadas, para tomarmos decisões sábias.

No outono o urso vai se alimentando de todas as formas possíveis de energia (comida) para se preparar para a hibernação do inverno que traz a renovação. Caminha lentamente, e delicado apesar de sua força bruta.

 

3. Elemento: Terra.

O Elemento do Oeste é a Terra, representada pelo seu filho mais durável e forte, a pedra. A pedra não sugere apenas a solidificação mas a resiliência ( resistir a pressão e ser flexível perante aos desafios) e segurança. A terra é o yin, o passivo, o receptivo, a nutrição

 

4. Cor: Preto.

A cor do oeste é o preto. A Luz sai da escuridão. Ele absorve e armazena, é a cor do mistério e da profundidade, da germinação. É a cor do olhar para dentro, da introspecção, do aspecto feminino de nossa existência, o escuro da caverna do urso, o útero da mãe.

 

5. Reino: Mineral.

Quando a terra estava em seu estágio embrionário, as rochas tornaram-se como o esqueleto humano e podem ser consideradas como os ossos da terra assim como a as árvores e a vegetação ao cabelo, e assim por diante. Os cristais eram considerados (quartzo, por exemplo) como as pilhas, cérebro da Terra. Os xamãs sabiam que embora . as rochas e as pedras não tivessem os olhos como animais e seres humanos, têm um sentido ‘ da visão e embora não tenham as orelhas, as pedras escutam

 

6. Corpo Celestial: Mãe Terra.

O pensamento nativo trata a terra como ser vivo e verdadeiramente sua ‘ mãe ‘. Ela quem forneceu seu corpo físico, cuja a substância é sua substância e é nela onde as entidades do espírito podem encarnar e experimentar o reino físico.

Deve-se dar amor e cuidados com a Mãe-Terra, com o mesmo sentimento e emoção que deve-se ter para com os humanos. É a Mãe que tudo nos dá, morada, água, alimento e beleza. Nos recebe à cada vida e acolhe carinhosamente nossa carne na morte.

 

7. Aspecto Humano: Corpo físico.

O corpo físico é um veículo ou uma roupa para o espírito . Quando as forças que se operam no corpo físico estão na harmonia e equilibram o corpo, a saúde está boa. Se houver uma discordância ou um desequilíbrio, se materializa como a doença.

 

8. Período De Tempo: Presente.

O futuro chega para nós de acordo com o que fazemos no presente.

 

9. Estação: Outono.

O outono é a estação da consolidação, quando o crescimento para. A conclusão de um ciclo natural. O ciclo que se completa em si mesmo.

 

10. Números: Dois (..) e doze.

É o número da dualidade A criação material inteira que está sendo enfatizada no oeste, é uma expressão deste dualismo. A dualidade é a coisa a mais evidente na existência. Está a noite e dia, verão e inverno,inalação e exalação, quente e frio, sol e lua. Nos planos internos, doze é o número da estabilidade organizacional em um nível espiritual. É concernido também com o espírito dos planetas.

 

11. Inimigo: Fraqueza / Impotência.

Quando o poder é abusado ou empregado mal lé auto-destrutivo, pode voltar em quem o abusou ou aplicou mal. Quando o poder é usado construtivamente e para o bem, então é nosso amigo. Desenvolva a auto-confiança. Seja positivo. Exercite seu poder. Resista o abuso do poder e a opressão.

 

12. Manifestação: Magia

É a arte de fazer as mudanças desejadas.

 

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