Meditando nas Sombras

Por Léo Artese

Meditando na transição do Calendário sagrado (Calendário das Estações) de Sudoeste para Sul (final de outono para o Inverno, vamos aprendendo a deixar para trás, o que ficou, na preparação para este período de Renovação da Terra que chega com a purificação e frescura dos ventos do Sul (chuvas são a surpresa!!). Para quem vai entrar na “Caverna do Urso” um bom período de hibernação, que torna possível digerirmos nossas idéias, pensamentos e renovarmos nossos métodos e forma de ver, sentir e perceber o mundo. Na escuridão da caverna podermos reavaliar as sombras de nossa existência.


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Pesquisando os aspectos sombrios que envolvem o momento de transição do período de decomposição para o inverno, fiz algumas anotações de fontes diversas, principalmente do Video: O Efeito Sombra, de Debbie Ford ( //www.youtube.com/watch?v=rcfbxbihSsQ)  que quero compartilhar:

Olhando para trás reflito que todos nós temos vergonha de algo que nos aconteceu. Todos passamos por fases difíceis. Todo o trabalho que fazemos com a sombra é para nos levarmos onde nós perdoamos.

A sombra se mostra assinando cheques sem fundo, bebendo demais, gastar exageradamente, etc. Sombra é aquilo que nós ocultamos e não queremos que os outros saibam. Segredos inconfessáveis!

A sombra é feita de pensamentos, emoções, impulsos que achamos dolorosos demais, constrangedores ou desagradáveis para aceitar. Portanto, ao lidar com eles, reprimimos. Pessoas vivem negando suas sombras individuais. Vejam estes dados do vídeo, trazido por Deepak Chopra:

50% da população mundial vive com menos de U$ 2,00 por dia. (Dados de 2011)

20% da população vive com menos de U$ 1,00 por dia.

A cada dia morrem 3 mulheres nos EUA com o resultado da violência doméstica e mais da metade conheciam seus agressores. A cada ano 1,2 milhões de mulheres são violentadas por seus parceiros. Nos EUA, seguradoras negam cobertura à vitimas de violência doméstica.

Todos nós somos afetados pela sombra coletiva mais do que podemos imaginar( guerra, terrorismo, etc)

Quando suprimimos nossa sombra negamos aquilo que somos

Nós tentamos, com todo o nosso poder, fingir que não somos aquilo que odiamos. E provar isso é uma tarefa muito importante para o ego ferido. O ego ferido oculta tudo aquilo que acreditamos que seja inaceitável sobre nós mesmos. Para cumprir essa tarefa o ego constrói uma máscara, para provar ao outro que não temos grandes defeitos. Nenhum de nós gosta de admitir que tem falhas e inseguranças e criamos personas para poder ter o nosso próprio espaço.

Dai podem nascer o: agressor, valentão, encantador, mocinha boa, intelectual, piadista, vencedor, sedutora, durona, super-queridos….

Tudo o que rejeitamos, temos que manter abaixo do nível de consciência. Temos que enterrá-lo. Todas as experiências são o contraste entre luz e sombra, prazer e dor, acima e abaixo, passado e futuro.

Para que exista manifestação precisamos de energias opostas. Você necessita dos seus inimigos para saber quem você é. A alma humana é, ao mesmo tempo, divina e diabólica, sagrada e profana, pecadora e santa.

Nós temos todas as emoções ou características humanas, sejam elas ativas ou adormecidas, sejam elas conscientes ou inconscientes. Não há nada que possamos reconhecer ou conceber, que já não sejamos. A vida se baseia num sistema de códigos desses pares opostos.

Aquilo com que não podemos conviver, não nos deixará ser inteiros.

Como saber quando projetamos?

Quando você reage a uma projeção, você se torna de fato na projeção. A sombra é a pessoa que preferimos não ser. Se você não se ocupa com a sua sombra, ela se ocupará com você.

Os assuntos não resolvidos que a gente armazena no corpo, nossas emoções, estão diretamente e absolutamente relacionadas com o corpo físico, a saúde nosso bem estar geral. Pensamos que a nossa saúde está. De algum modo, separada de nossas emoções. Estão intimamente conectadas!

A apresentação da Sombra
Extraído de Connie Zweig: Ao Encontro da Sombra

A sombra pessoal desenvolve-se naturalmente em todas as crianças. A medida que nos identificamos com as características ideais de personalidade (tais como polidez e generosidade) que são encorajadas pelo nosso ambiente, vamos formando aquilo que W. Brugh Joy chama o “eu das decisões de Ano Novo”. Ao mesmo tempo, vamos enterrando na sombra aquelas qualidades que não são adequadas à nossa auto-imagem, como a rudeza e o egoísmo. O ego e a sombra, portanto, desenvolvem-se aos pares, criando-se mutuamente a partir da mesma experiência de vida.

Carl Jung viu em si mesmo a inseparabilidade do ego e da sombra, num sonho que descreve em sua autobiografia Memories, Dreams, Reflections [Memórias, Sonhos, Reflexões]:

“Era noite, em algum lugar desconhecido, e eu avançava com muita dificuldade contra uma forte tempestade. Havia um denso nevoeiro. Eu segurava e protegia com as mãos uma pequena luz que ameaçava extinguir-se a qualquer momento. Eu sentia que precisava mantê-la acesa, pois tudo dependia disso. De súbito, tive a sensação de que estava sendo seguido. Olhei para trás e percebi uma gigantesca forma escura seguindo meus passos. Mas no mesmo instante tive consciência, apesar do meu terror, de que eu precisava atravessar a noite e o vento com a minha pequena luz, sem levar em conta perigo algum.
Ao acordar, percebi de imediato que havia sonhado com a minha própria sombra, projetada no nevoeiro pela pequena luz que eu carregava. Entendi que essa pequena luz era a minha consciência, a única luz que possuo. Embora infinitamente pequena e frágil em comparação com os poderes das trevas, ela ainda é uma luz, a minha única luz.”

Muitas forças estão em jogo na formação da nossa sombra e, em última análise, determinam o que pode e o que não pode ser expresso. Pais, irmãos, professores, clérigos e amigos criam um ambiente complexo no qual aprendemos aquilo que representa comportamento gentil, conveniente e moral, e aquilo que é mesquinho, vergonhoso e pecaminoso.
A sombra age como um sistema imunológico psíquico, definindo o que é eu e o que é não eu.

Pessoas diferentes, em diferentes famílias e culturas, consideram de modos diversos aquilo que pertence ao ego e aquilo que pertence à sombra. Por exemplo, alguns permitem a expressão da raiva ou da agressividade; a maioria, não. Alguns permitem a sexualidade, a vulnerabilidade ou as emoções fortes; muitos, não. Alguns permitem a ambição financeira, a expressão artística ou o desenvolvimento intelectual; outros, não.

Todos os sentimentos e capacidades que são rejeitados pelo ego e exilados na sombra contribuem para o poder oculto do lado escuro da natureza humana. No entanto, nem todos eles são aquilo que se considera traços negativos. De acordo com a analista junguiana Liliane Frey Rohn, esse escuro tesouro inclui a nossa porção infantil, nossos apegos emocionais e sintomas neuróticos bem como nossos talentos e dons não desenvolvidos. A sombra, diz ela, “mantém contato com as profundezas perdidas da alma, com a vida e a vitalidade – o superior, o universalmente humano, sim, mesmo o criativo podem ser percebidos ali”.

A Rejeição da Sombra

Não podemos olhar diretamente para esse domínio oculto, A sombra é, por natureza, difícil de ser apreendida. Ela é perigosa, desordenada e eternamente oculta, como se a luz da consciência pudesse roubar-lhe a vida.

O analista junguiano James Hillman. autor de diversas obras, diz: “O inconsciente não pode ser consciente; a Lua tem seu lado escuro, o Sol se põe e não pode iluminar o mundo todo ao mesmo tempo, e mesmo Deus tem duas mãos. A atenção e o foco exigem que algumas coisas fiquem fora do campo visual, permaneçam no escuro. Não se pode olhar em duas direções ao mesmo tempo.”

Por essa razão, em geral vemos a sombra indiretamente, nos traços e ações desagradáveis das outras pessoas, lá fora, onde é mais seguro observá-la. Quando reagimos de modo intenso a uma qualidade qualquer {preguiça, estupidez, sensualidade, espiritualidade, etc.) de uma pessoa ou grupo, e nos enchemos de grande aversão ou admiração – essa reação talvez seja a nossa sombra se revelando. Nós nos projetamos ao atribuir essa qualidade à outra pessoa, num esforço inconsciente de bani-la de nós mesmos, de evitar vê-la dentro de nós.

A analista junguiana Marie-Louise von Franz sugere que essa projeção é como disparar uma flecha mágica. Se o destinatário tem um “ponto fraco” onde receber a projeção, então ela se mantém, Se projetamos nossa raiva sobre um companheiro insatisfeito, ou nosso poder de sedução sobre um atraente estranho, ou nossos atributos espirituais sobre um guru, então atingimos o alvo e a projeção se mantém. Daí em diante, emissor e receptor estarão unidos numa misteriosa aliança, como apaixonar-se ou encontrar o herói (ou vilão) perfeito. A sombra pessoal contém, portanto, todos os tipos de potencialidades não desenvolvidas e não expressas. Ela é aquela parte do inconsciente que complementa o ego e representa as características que a personalidade consciente recusa-se a admitir e, portanto, negligencia, esquece e enterra… até redescobri-las em confrontos desagradáveis com os outros.

 

Um comentário em “Meditando nas Sombras

  • 2nd junho 2018 em 9:57 am
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    Ótimo texto! Gratidão pela partilha. Fico me perguntando se há algo para se fazer com aquilo que reconhecemos em nós como sombra. Eu mesma uso muito esse processo de perceber o que me da aversão ou muita admiração em outra pessoa, tendo aí pistas das minhas projeções. Nem sempre é fácil, mas as vezes eu capto. Agora, o que fazer com isso!? É sobre aceitar e perdoar essa parte que também existe em mim? Talvez.. mas a minha sensação é que se eu perdoar, talvez eu dê espaço demais para essa parte da minha personalidade e ela tome conta da minha expressão, de mim, nesse mundo. Porque estamos falando de sombras que trazem emoções muuitíssimo fortes.

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