Ultima Colheita – A Decomposição

Direção Sudoeste da Roda Medicinal (Hem. Sul) – A Última Colheita – A Decomposição – O Meio do Outono

O frio aumenta na terra, o Sol diminui sua intensidade, as folhas das árvores secam e caem. É o período dos términos. Sementes caem na Terra e deixam o ventre da Deusa com uma esperança de vida. O fio que separa as estações, o fio que separa a morte da vida, é a Ultima Colheita. Onde honramos todos aqueles que já passaram por este mundo. É o véu que se solta para a comunicação com os espíritos familiares, seus ancestrais. É o momento do Calendário Sagrado que podemos comparar aqui no Hemisfério Sul (02 de maio) com a época do Dia dos Finados, de Todos os Santos, Samhain, Halloween (a Última Colheita é da abóbora).

A morte é profundamente significativa. Descobrindo o que ela é em si mesma, conheceremos o segredo da vida. Aquilo que continua além da sepultura somente pode ser conhecido por pessoas de consciência desperta. Quem está adormecido desconhece aquilo que está além da morte. Teorias, há muitas, cada um pode formular sua opinião, porém o mais importante é experimentar diretamente tudo isso que pertence aos mistérios da morte.

Esta Direção nos ensina a aprender a viver em harmonia com o ritmo da vida e a aprender a viver em função com esses ritmos e não contra eles. Ela  nos ensina a sonhar. Os Anciãos ensinam o Sonho em muitos níveis. Sonhar também pode ser usado na cura. Aprendemos que todos nós nascemos com um sonho sagrado, algo que nós viemos aqui para cumprir e, quase imediatamente, esquecemos este sonho no nascimento, sendo que a jornada de nossa vida é para recuperar esse sonho. O Sudoeste é a parte do nosso círculo que nos chama para recuperar a vocação de nossa alma.

É o momento de decomposição da matéria, uma preliminar do renascimento espiritual, simbolizando a entrada da reencarnação na Roda Medicinal. Em frente, você vê toda a sua história e seus antepassados e todas as suas influências do passado que te formou até agora.

Este é o último dos ciclos influenciados pelo espírito do oeste com suas qualidades de introspecção, a época de novas oportunidades. Este é um período de noites longas e de dias curtos. Pela Roda Medicinal é o lugar do karma onde as experiências integradas do passado formulam provas que serão repetidas nas vidas futuras até que suas lições estejam aprendidas e aplicadas. Ensina sobre perseverança, paciência, estabilidade, praticidade e como assentar nossas própria casa na ordem, para que possamos buscar um lugar tranqüilo e de contentamento.

Evocamos a medicina da purificação e limpeza, morte e renovação (renascimento). Celebraremos a esperança da vida na escuridão, a preparação para o período de renovação que chegará com o inverno.

Os elementos que influenciam são Ar e Terra. O Elemento Terra ajuda a estabilizar e manter, e essa influência é vital para a concretização de idéias e ideais. É a influência do passo-a-passo, os progressos que garantem avançar. Sua ênfase está no cuidado, mas isso tem de ser devidamente discernido. Caso contrário, pode desenvolver em excesso de prudência e serenidade.

Chegamos no momento de refletir sobre padrões de nossa experiência de vida, karma e dharma, e nas leis dos ciclos e nas estações do ano. É o tempo de olhar constantemente para nós mesmos, para determinar se estamos caminhando com os compromissos que temos estabelecidos na construção do livro da vida. É importante lembrar que cada um de nós escrevemos o nosso próprio Livro da Vida antes de pisar no “Plano da Terra” nesta encarnação, e que podemos reescrevê-lo sempre que quisermos.

Nossa sagrada imagem é a representação da expressão totalmente desenvolvida de nossa personalidade espiritual, “verdadeira natureza”. Está sempre conosco para nos lembrar quem realmente somos, impulsionando-nos a assumir o controle da nossa vida e fazer o trecho final de excelência nesta vida. Fazendo isso, podemos trazer o nosso sonho sagrado através da Lei Sagrada.

Segundo Léo Rutherford há três aspectos da nossa imagem sagrada:

1. A imagem da sacralidade da nossa relação com a própria vida e de tudo, dentro do Todo.

2. A imagem do nosso corpo físico, como um pensamento sagrado do Grande Espírito, que foi sonhado em um espaço de pensamento, atração magnética.

3. A imagem do nosso eu como uma  peça interligada, interdependente e fundamental da sacralidade absoluta da vida.

As regras e as leis que nós estabelecemos para nós mesmos, nossas famílias, comunidades e governos, começam como individual e coletiva; tentativas para nos alinharmos com a nossa imagem sagrada. Muitos dividem o tempo pois são cada vez mais influenciadas e modificados por fabricantes de imagem. Eles representam a nossa determinação de como as coisas devem ser baseadas na nossa percepção da moralidade: certo e errado, bom e mau, o justo e o injusto, etc.

Regras e leis têm limites e fronteiras que colocamos em nós mesmos e nos outros, a fim de governar conduta. As regras são o que podemos e não podemos fazer. Leis incluem o que vai acontecer se não seguir as regras. Padrões são desenvolvidos a partir da experiência repetida, de acordo com as regras e leis que nós estabelecemos para nós mesmos, ou são definidas pelos “fabricantes de imagem” no coletivo. Após um período de tempo, esses padrões se tornam uma parte normal de nossas vidas diárias.

Quando estabelecemos padrões que não nos servem, muitas vezes como uma tentativa de adaptação, podemos nos comportar de maneiras que são contrárias à nossa imagem sagrada e à Lei Sagrada. Se nos tornamos reféns delas, seremos o efeito em vez de causadores de nossas vidas diárias. Uma vez presos, é extremamente difícil de se libertar – mas não impossível! Entramos em fogo cruzado e nos refletimos no espelho escuro do sudoeste quando violamos o Sagrado Direito em prol da manutenção desses padrões disfuncionais. Estes, por sua vez provocam estresse, raiva e dor em nossas vidas, resultando em Karma. Apesar da dor e do terror que vivenciamos, ainda temos medo de deixar morrer o que deve morrer, a fim de melhorar nossas vidas, as vidas dos que nos rodeiam, e a vida da Mãe Terra. Quando, finalmente, despertamos e vemos que estamos sendo impiedosamente controlados por esses padrões restritivos, podemos optar por assumir a responsabilidade por nossas vidas e nos abrir para a morte, a transformação e para uma nova vida.

É hora de deixar morrer o que precisa morrer para que possamos nos abrir para novas possibilidades. Neste ponto, devemos ter o nosso poder como seres humanos sagrados, definir a nossa intenção, se mover através do processo de morte (muitas vezes bastante doloroso, mas necessário) e expandir para a luz para outras possibilidades. Os padrões disfuncionais se transformam em novos padrões que estão em equilíbrio e harmonia com a nossa intenção e a Lei Sagrada.

O meio do outono marca o Dharma, a liberdade para determinar por nós mesmos a atualização de nossa imagem sagrada. Este é o espelho de luz do Noroeste. É o último dos ciclos influenciado pelo “espírito do Oeste” com suas qualidades de introspecção, e é o momento de novas oportunidades.

Nesta época do ano no hemisfério sul, o ar é fresco e limpo e pode-se ver claramente em todas as direções. Para quem nasce nessa estação o crescimento vem por determinar o sentido da vida, ao ter uma clara visão do objetivo ou meta. Em um ambientes muito aberto fica vulnerável e precisa ter cautela para evitar as forças da ganância, da indiferença e crueldade.

Direção Sudoeste Momento da Decomposição. O frio aumenta na terra, o Sol diminui sua intensidade, as folhas das árvores secam e caem.

O Sudoeste nos obriga a fazer um balanço de nossas próprias regras pessoais e leis, e nos convida a olhar e ver se somos nós mesmos que regemos de forma equilibrada o Caminho da Beleza. A influência do Oeste permite a sua orientação para ser mais bem definido e, assim, ajudar as pessoas a atingir um sentido claro de direção na vida, estimulando a geração de um fogo interior. É um portal que abre a intuição para os mistérios da vida e para avaliar se houve uma correta utilização dos poderes que foram confiados. O maior destes poderes é o poder do pensamento criativo.

Samhain

Samhain (pronuncia-se souêin), significava para os celtas, o final de um ciclo e o prenúncio de um novo, o mergulho na escuridão e na morte à espera do renascimento. Era o mais importante dos Sabbaths, representando a passagem do Ano Novo e o terceiro e último festival da colheita. Simbolizava não mais a celebração dos cereais ou das frutas, mas a matança dos animais que não mais serviam para a reprodução, sendo transformados em conservas para o inverno. Na Roda do Ano, Samhain é o oposto de Beltane, regido pela Deusa Anciã e pelo Deus da Morte.

A atmosfera desse festival era de nostalgia, saudade, lembranças, desapego, retraição, compreensão e mutação. Os véus entre os mundos se tornavam mais tênues nas noites de Samhain, permitindo a comunicação com os espíritos dos ancestrais e dos familiares falecidos. Ao ser cristianizado, Samhain transformou-se na comemoração do Dia de Todos os Santos e Finados, enquanto que sua vulgarização e comercialização moderna o caricaturaram como halloween, a Festa das Bruxas.

Na mitologia irlandesa, em Samhain celebrava-se a união da Deusa da guerra Morrigan com Dagda, o Deus da Terra, garantindo, assim, a sobrevivência da terra durante as vicissitudes do inverno. As lendas celtas contam como Cailleach, a Deusa Anciã, congelou a terra, batendo nela com seu cajado. Lamentando a morte sacrificial do Deus, representada pelo fim do ciclo da vegetação, a Anciã se recolhe para preparar em seu caldeirão a poção mágica do renascimento.

Nos países nórdicos e celtas, acreditava-se que vários Espíritos da Natureza, principalmente as Fadas Escuras, perambulavam pela terra nesta noite, perturbando as pessoas e assustando os animais. Para mantê-los à distância, fogueiras e lanternas de abóboras eram acesas nas colinas e oferendas eram deixadas nos bosques. Em Roma, celebravam-se neste dia as Deusas Pomona e Fortuna, com oferendas agradecendo pela colheita e rituais para atrair a boa sorte.

Em algumas Tradições da Deusa, esta noite é dedicada a Cerridwen, a Deusa celta detentora do caldeirão sagrado da sabedoria e da transmutação, a face anciã da Grande Mãe. Comemora-se, também, a descida da Deusa suméria Inanna, em visita a sua irmã Ereshkigal, a senhora do mundo subterrâneo, sendo imolada e morta antes de voltar, renovada e mais sábia, ao mundo dos homens. No mito grego, Deméter desce para visitar sua filha Perséfone no mundo escuro dos mortos, implorando-lhe para que volte com ela à superfície. Hécate, a Deusa das encruzilhadas, encaminha as almas, iluminando-lhes a passagem com sua tocha.

A noite de Samhain é propícia à reflexão sobre nossas emoções e sobre o que ocorreu em nossas vidas durante o ciclo que está se concluindo; para encararmos nossos medos e nossas limitações; desapegarmo-nos de tudo que é “peso morto” e buscarmos inspiração e sabedoria para vivermos as mudanças e as transformações.

Neste Sabbath reverenciamos os Espíritos Ancestrais e pedimos sua ajuda na obtenção de coragem, tranquilidade e vigor, para iniciarmos “de peito aberto” a caminhada simbólica ao ventre escuro da Mãe Terra.

Autores Pesquisados: Kenneth Meadows – Léo Rutherford – www.mermaid-uk.net – Ann Albers – Lynette Hopkins – Mirella Faur

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